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Os que se afastam fazem-no porque não lhes convenho ou porque nossa
maneira de ver as coisas reciprocamente não concorda. Por que, então, iria eu contrariá-los, impondo-me a eles?
Parece-me mais conveniente deixá-los em paz. Ademais, honestamente,
carece-me tempo para isso.
Sabe-se que minhas ocupações não me deixam um instante para o repouso.
Além disso, para um que parte, há mil que chegam. Julgo um dever
dedicar-me, acima de tudo, a estes e é isso que faço. Orgulho?
Desprezo por outrem? Oh! Não! Honestamente, não! Eu não desprezo
ninguém; lamento os que agem mal, rogo a Deus e aos Bons Espíritos que
façam nascer neles melhores sentimentos. E isso é tudo.
Se retornam, são sempre recebidos com júbilo. Mas correr ao seu
encalço, isso não me é possível fazer, mesmo em razão do tempo que de
mim reclamam as pessoas de boa vontade, e, depois, porque não empresto
a certos indivíduos a importância que eles a si próprios atribuem.
Para mim, um homem é um homem, isto apenas! Meço seu valor por seus
atos, por seus sentimentos, nunca por sua posição social. Pertença ele
às mais altas camadas da sociedade, se age mal, se é egoísta e
negligente de sua dignidade, é, a meus olhos, inferior ao trabalhador
que procede corretamente, e eu aperto mais cordialmente a mão de um
homem humilde, cujo coração estou a ouvir, do que a de um potentado
cujo peito emudeceu. A primeira me aquece, a segunda me enregela.
Homens da mais alta posição honram-me com sua visita, porém nunca, por
causa deles, um proletário ficou na antecâmara. Muitas vezes, em meu
salão, o príncipe se assenta ao lado do operário. Se se sentir
humilhado, dir-lhe-ei simplesmente que não é digno de ser espírita.
Mas, sinto-me feliz em dizer, eu os vi, muitas vezes, apertarem-se as
mãos, fraternalmente, e, então, um pensamento me ocorria:
“Espiritismo, eis um dos teus milagres; este é o prenúncio de muitos
outros prodígios!”
Dependeria de mim abrir as portas da alta sociedade, porém nunca fui
nelas bater. Isso exigiria um tempo que prefiro empregar mais
utilmente.
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