Antes de fazer a coisa para os homens, é preciso formar os homens para a coisa, como se formam obreiros, antes de lhes confiar um trabalho. Antes de construir, é preciso que nos certifiquemos da solidez dos materiais. Aqui os materiais sólidos são os homens de coração, de devotamento e abnegação. Sob o egoísmo, o amor e a fraternidade são, como já dissemos, palavras vazias. Assim sendo, de que maneira, sob o império do egoísmo, fundar um sistema que requeira a abnegação em um sentido tão amplo que tenha por princípio essencial a solidariedade de todos para cada um e de cada um para com todos?

Alguns homens abandonaram o solo natal para ir fundar, à distância, colônias sob o regime da fraternidade. Quiseram fugir ao egoísmo que os esmagava, mas o egoísmo seguiu com eles e lá, onde se acham, encontram-se exploradores e explorados, pois que a caridade lhes falta. Acreditaram que bastasse conduzir o maior número de braços possível, sem imaginar que, ao mesmo tempo, levavam os vermes roedores da nova instituição, arruinada tão mais rapidamente porque não tinha em si nem força moral, nem força material suficientes.

 

Viagem Espírita em 1862, O Clarim, 2. ed., Discurso pronunciado nas reuniões gerais dos espíritas de Lyon e Bordeaux, pp. 80-84

Fonte: www.mundoespirita.com.br  - agosto/2005.