|
|
União
Allan Kardec
“Seja-vos possível fundir-vos em uma única e mesma família...”
Enquanto a oportunidade se apresenta, revesti-vos do manto branco,
abafai as discórdias, pois que as discórdias pertencem ao reino do mal
que vai ter fim. Seja-vos possível fundir-vos em uma única e mesma
família e dar-vos mutuamente, do fundo do coração e sem pensamento
premeditado, o nome de irmãos.
Se, entre vós, há dissidências, causas
de antagonismos, se os grupos que devem todos marchar para um objetivo
comum, estiverem divididos, eu o lamento, sem me preocupar com as
causas, sem examinar quem cometeu os primeiros erros e me coloco, sem
hesitar, do lado daquele que tiver mais caridade, isto é, mais
abnegação e verdadeira humildade, pois aquele a quem falta a caridade
está sempre errado, assistido embora por qualquer espécie de razão,
pois Deus maldiz quem diz a seu irmão: racca.
Os grupos são indivíduos coletivos que devem viver em paz, como os
indivíduos, se, realmente, são espíritas. Eles são os batalhões da
grande falange. Ora, o que será feito de uma falange cujos batalhões
se dividirem?
Aqueles que vêem o próximo com olhos ciumentos, provam, só por isso,
que estão sob uma ruim influência, pois que o Espírito do bem não pode
produzir o mal. Vós o sabeis: a árvore reconhece-se pelos frutos. Ora,
o fruto do orgulho, da inveja e do ciúme é um fruto envenenado que
mata quem dele se nutre.
O
que digo das dissidências entre grupos vale, igualmente, para as que
possam haver entre os indivíduos. Em semelhante circunstância, a
opinião das pessoas imparciais é sempre favorável àquele que dá provas
de maior grandeza e de generosidade.
Aqui na Terra, onde ninguém é infalível, a indulgência recíproca é uma
conseqüência do princípio da caridade que nos leva a agir para com os
outros como quereríamos que os outros agissem para conosco. Ora, sem
indulgência não há caridade, sem caridade não há verdadeiro Espírita.
|
|