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Os
Objetivos da Sociedade Espírita
Allan Kardec
Algumas
pessoas parecem enganadas quanto ao verdadeiro objetivo e o caráter da
Sociedade. Permiti-me recordá-los em poucas palavras.
(...) Esse
objetivo é, essencialmente e, pode dizer-se, com exclusividade, o estudo da
ciência espírita. O que queremos, antes de tudo, não é nos convencer, pois já o
estamos, mas instruir-nos e aprender o que não sabemos.
Para tanto,
queremos colocar-nos nas mais favoráveis condições. Como esses estudos exigem
calma e recolhimento, queremos evitar tudo quanto seja causa de perturbação. Tal
é a consideração que deve prevalecer na apreciação das medidas que vamos
adotar.(...)
Não impomos
nossas idéias a ninguém. Os que as adotam é porque as consideram justas. Os que
vêm a nós é porque pensam aqui encontrar oportunidade de aprender (...).
Reunimo-nos
para estudar o Espiritismo, como outros se reúnem para estudar a frenologia, a
história ou outras ciências. E como nossas reuniões não se baseiam em nenhum
interesse material, pouco nos importa se outras se formam ao nosso lado.
Na verdade,
seria atribuir-nos idéias bem mesquinhas, bem estreitas e bem pueris crer que as
veríamos com olhos ciumentos; os que pensassem em nos criar rivalidades
mostrariam, por isso mesmo, quão pouco compreendem o verdadeiro espírito da
doutrina. Só lamentamos uma coisa: que nos conheçam tão mal, a ponto de nos
suporem acessível ao ignóbil sentimento do ciúme.
Compreende-se que empresas mercenárias rivais, que podem prejudicar-se pela
concorrência, se vejam com maus olhos. Mas se essas reuniões não tiverem em
vista, como deveriam ter, senão um interesse puramente moral, e a elas não se
misturarem nenhuma consideração mercantil, pergunto: Em que poderiam ser
prejudicadas pela multiplicidade? Dirão, sem dúvida, que se não existe interesse
material, há o do amor-próprio, o desejo de destruir o crédito moral de seu
vizinho.
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