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Mas talvez
esse móvel fosse ignóbil ainda. Se é assim - que Deus não permita - apenas
lamentaremos os que forem movidos por semelhantes pensamentos. Queremos
sobrepujar os vizinhos? Tratemos de fazer melhor que eles: eis aí uma luta nobre
e digna, desde que não seja ofuscada pela inveja e pelo ciúme.
Eis, pois,
senhores, um ponto essencial, que não deve ser perdido de vista: não formamos
uma seita, nem uma sociedade de propaganda, nem uma corporação com interesse
comum; se deixássemos de existir, o Espiritismo não sofreria nenhum prejuízo,
formando-se, de nossas ruínas, vinte outras sociedades.(...)
(...) As
raízes do Espiritismo não estão em nossa Sociedade, mas no mundo inteiro. Existe
algo mais poderoso que eles, que todas as sociedades: é a doutrina, que vai ao
coração e à razão dos que a compreendem, e, sobretudo, dos que a praticam.
Esses
princípios, senhores, indicam-nos o verdadeiro caráter do nosso regimento, que
nada tem em comum com os estatutos de uma corporação. Nenhum contrato nos liga
uns aos outros; fora de nossas sessões não temos outras obrigações recíprocas
que não sejam as de nos comportarmos como gente bem-educada. Os que nessas
reuniões não encontrarem aquilo que nelas esperam achar, têm toda liberdade de
retirar-se; eu mesmo não compreenderia que permanecessem, desde que não lhes
convenha o que aqui se faz. Não seria racional que viessem perder tempo.
Em toda
reunião é preciso uma regra para a manutenção da boa ordem. Falando claramente,
nosso regulamento nada mais é que uma instrução destinada a estabelecer ordem em
nossas sessões,
a manter, entre os assistentes, as relações de urbanidade e de conveniência que
devem presidir a todas as assembléias de pessoas educadas, abstração feita das
condições inerentes à especialidade de nossos trabalhos.
Porque não
tratamos apenas com homens, mas com Espíritos que, como sabeis, não são
igualmente bons, e contra a velhacaria dos quais é preciso que nos resguardemos.
Nesse número, alguns são muito astuciosos e podem mesmo, poródio ao bem,
impelir-nos a uma via perigosa. Cabe a nós ter bastante prudência e perspicácia
para frustrá-los, o que nos obriga a tomar precauções particulares.
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