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Lembrai-vos, Senhores, da maneira pela qual se formou a Sociedade. Eu recebia em
minha casa algumas pessoas em pequeno comitê. Com o crescimento do grupo,
acharam que era preciso um local maior. Para consegui-lo, teríamos de pagar;
tivemos, portanto, que nos cotizar. Disseram mais: é preciso ordem nas sessões;
não se pode admitir o primeiro que chegar; é necessário, portanto, um
regulamento.
Eis toda a
história da Sociedade. Como vedes, é bem simples. Não entrou na cabeça de
ninguém fundar uma instituição, nem se ocupar do que quer que seja fora dos
estudos; eu próprio declaro, de maneira muito formal, que se um dia a Sociedade
quiser ir além, não a acompanharei.
O que fiz,
outros são mestres em fazê-lo(...). E esses diferentes grupos podem entender-se
perfeitamente e viver como bons vizinhos. (...) Devem ser fração de um grande
todo, mas não seitas rivais. E o mesmo grupo, tornado muito numeroso, pode
subdividir-se como os enxames de abelhas.(...)
Entretanto,
é preciso convir que entre certos grupos há uma espécie de rivalidade ou, antes,
de antagonismo. Qual a causa? Meu Deus! esta causa está na fraqueza humana, no
espírito de orgulho que quer impor-se; está, sobretudo, no conhecimento ainda
incompleto dos verdadeiros princípios do Espiritismo.
Cada um
defende os seus Espíritos, como outrora as cidades da Grécia defendiam seus
deuses que, seja dito de passagem, não passavam de Espíritos mais ou menos bons.
Essas dissidências só existem porque há pessoas que querem julgar, antes de
terem tudo visto, ou que julgam do ponto de vista de sua personalidade. Elas se
apagarão, como muitas outras já se apagaram, à medida que a ciência se
reformular (...).
Em resumo,
o que devemos buscar é remover todas as causas de perturbação e de interrupção;
manter entre nós as boas relações, de que os espíritas sinceros, mais que
outros, devem dar exemplo;
opor-nos, por todos os meios possíveis, ao afastamento da Sociedade de seus
objetivos, à abordagem de questões que não são de sua alçada, e que degenere em
arena de controvérsias e de personalismo. (...)
Fonte:
Mundo Espírita
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