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A liberdade sem a fraternidade é rédea solta a
todas as más paixões, que desde então ficam sem freio; com a fraternidade, o
homem nenhum mau uso faz da sua liberdade: é a ordem; sem a fraternidade, usa da
liberdade para dar curso a todas as suas torpezas: é a anarquia, a licença.
Por isso é que as nações mais livres se vêem
obrigadas a criar restrições à liberdade. A igualdade, sem a fraternidade,
conduz aos mesmos resultados, visto que a igualdade reclama a liberdade; sob o
pretexto de igualdade, o pequeno rebaixa o grande, para lhe tomar o lugar, e se
torna tirano por sua vez; tudo se reduz a um deslocamento de despotismo.
Seguir-se-á daí que, enquanto os homens não se
acharem imbuídos do sentimento de fraternidade, será necessário tê-los em
servidão? Dar-se-á sejam inaptas as instituições fundadas sobre os princípios de
igualdade e de liberdade? Semelhante opinião fora mais que errônea; seria
absurda. Ninguém espera que uma criança se ache com o seu crescimento completo
para lhe ensinar a andar.
Quem, ao demais, os tem sob tutela? Serão homens de
idéias elevadas e generosas, guiados pelo amor do progresso? Serão homens que se
aproveitem da submissão dos seus inferiores para lhes desenvolver o senso moral
e elevá-los pouco a pouco à condição de homens livres?
Não; são, em sua maioria, homens ciosos do seu
poder, a cuja ambição e cupidez outros homens servem de instrumentos mais
inteligentes do que animais e que, então, em vez de emancipá-los, os conservam,
por todo o tempo que for possível, subjugados e na ignorância. Mas, esta ordem
de coisas muda de si mesma, pelo poder irresistível do progresso.
A reação é não raro violenta e tanto mais terrível,
enquanto o sentimento da fraternidade, imprudentemente sufocado, não logra
interpor o seu poder moderador; a luta se empenha entre os que querem tomar e os
que querem reter; daí um conflito que se prolonga às vezes por séculos.
Afinal, um equilíbrio fictício se estabelece; há
qualquer coisa de melhor. Sente-se, porém, que as bases sociais não estão
sólidas; a cada passo o solo treme, por isso que ainda não reinam a liberdade e
a igualdade, sob a égide da fraternidade, porque o orgulho e o egoísmo continuam
empenhados em fazer se malogrem os esforços dos homens de bem. |
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