Delinqüência infantil

Amilcar Del Chiaro Filho

 

Os adultos estão perplexos com as maldades que muitas crianças são capazes de fazer. Não raro, elas se mostram cruéis, a ponto de assustar até policiais acostumados a combater o crime adulto.

Os exemplos são muitos, no estrangeiro, e também aqui em nossa pátria. Mas não vamos enumerá-los, nem demonstrá-los, pois qualquer pessoa que assiste televisão, ouve rádio e lê jornais, está sabendo o que se passa no mundo.

Mas quais são as razões para isso? Estaria certo o pensador que diz que a criatura nasce boa, mas a sociedade a corrompe? Não! Não podemos aceitar essa afirmativa diante do conhecimento espírita. O que ocorre então? É o que vamos tentar analisar.

Sabemos através da Doutrina Espírita, que essa não é a primeira vez que nascemos aqui na Terra. Somos criaturas milenares, já tivemos muitas reencarnações, e construímos uma personalidade, que a cada renascimento objetivamos melhorar.

Cada ser humano que nasce aqui na Terra já traz a maldade ou a bondade sedimentada anteriormente. A misericórdia de Deus faz com que nasçamos pequeninos, completamente dependentes de nossa mãe, pois, entre os mamíferos, somos os únicos seres que, se não formos colocados ao peito, morremos de fome. Nascemos com a aparência da inocência.

Passamos pela lei do esquecimento, e as virtudes e defeitos da nossa personalidade ficam em letargia, e se manifestam como tendências e vocações.

Logicamente os exemplos tem um grande peso na formação da personalidade atual. Ela desperta tendências e vocações, embora seja possível resistir à essas tendências. Por exemplo: existem pessoas maravilhosas, dignas, honestas, dedicadas ao bem, no seio de famílias desestruturadas, com elementos maldosos, ruins e desonesto. E também criaturas viciosas e ruins, violentas, criminosas, no seio de famílias bondosas e honestas.

Por tanto, a inocência demonstrada pelas crianças nos primeiros anos de vida, nem sempre é uma superioridade real, mas é a imagem do que elas deveriam ser.