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Ante o Livre Arbítrio
Francisco Cândido Xavier
“Nada te admires de que eu te haja dito ser
preciso que nasças de novo.” - Jesus - João, 3:7.
“Não há, pois, duvidar de que sob o nome de
ressurreição o principio do reencarnação era ponto de uma dos crenças
fundamentais dos judeus, ponto que Jesus e os profetas confirmaram de modo
formal; donde se segue que negar a reencarnação é negar as palavras do
Cristo.” - “0 Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. IV, 16.
Surgem, aqui e ali, aqueles que negam o livre
arbítrio, alegando que a pessoa no mundo é tão independente, quanto o pássaro no
alçapão.
E, justificando a assertiva, mencionam a junção
compulsória do espírito ao veiculo carnal, os constrangimentos da parentela, as
convenções sociais, as preocupações incessantes na preservação da energia
corpórea, as imposições do trabalho e a obediência natural aos regulamentos
constituídos para a garantia da ordem terrestre, esquecendo-se de que não há
escola sem disciplina.
Certamente, todos os patrimônios da civilização
foram erigidos pelas criaturas que usaram a própria liberdade na exaltação do
bem, no entanto, para fixar as realidades do livre arbítrio, examinemos o reverso
do quadro.
Reflitamos, ainda que superficialmente, em nossos
irmãos menos felizes, para recolher-lhes a dolorosa lição.
Pensemos no desencanto daqueles que amontoaram
moedas, por longo tempo, acumulando o suor dos semelhantes, em louvor da própria
avareza, e sentem a aproximação da morte, sem migalha de luz que lhes mitigue as
aflições nas trevas...
Imaginemos o suplício dos que trocaram veneráveis
encargos por fantasiosos enganos, a despertarem no crepúsculo da existência,
qual se fossem arremessados, sem perceber, à secura asfixiante de escabroso
deserto. |
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