Deveres Humildes

Francisco Cândido Xavier

 

“Em verdade vos digo que esta pobre viúva deu muito mais dos que, antes, puseram suas dádivas no gazofilácio.” - Jesus - Marcos, 12: 43.

“Aliás, será só com o dinheiro que se podem secar lágrimas e dever-se-á ficar inativo, desde que se não tenha dinheiro? Todo aquele que sinceramente deseja ser útil a seus irmãos, mil ocasiões encontrará de realizar o seu desejo.” - “0 Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XIII, 6.

Abracemos, felizes, as atividades obscuras que a vida nos reserve.

Grande é o sol que sustenta os mundos e grande é a semente que nutre os homens.

Engenheiros planificam a estrada, consultando livros preciosos no gabinete e, a breve tempo, larga avenida pode surgir da selva.

Entretanto, para que a realização apareça, tarefeiros abnegados removem estorvos do solo e transpiram no calçamento.

Urbanistas esboçam a planta de enorme edifício, alinhando traços nobres, ante a mesa tranqüila e é possível que o arranha-céu se levante, pressuroso, acolhendo com segurança numerosas pessoas.

Todavia, a fim de que a obra se erga, esfalfam-se lidadores suarentos, na garantia dos alicerces.

Técnicos avançados estruturam as máquinas que exaltam a indústria e, com elas, é provável se eleve o índice da evolução de povos inteiros.

No entanto, para que isso aconteça, é indispensável que operários valorosos exponham as próprias vidas, junto aos fornos candentes de ferro e ago.

Negociantes de prol arregimentam os produtos da terra e, por eles, conseguem formar a economia e o sustento de grandes comunidades.