Pára e Pensa

Francisco Cândido Xavier

 

“...E a qualquer que muito for dado, muito se lhe pedirá...” - Jesus – Lucas, 12: 48.

“O primeiro cuidado de todo espírita sincero deve ser o de procurar saber se, nos conselhos que os Espíritos dão, alguma coisa não há que lhe diga respeito.” - “0 Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XVIII, 12.

Se a perturbação, por ventania gritante, ruge à porta, não te entregues aos pensamentos desordenados que aflições e temores te sugiram à alma.

Pára e pensa.

Escorregaste no erro e experimentas a inquietação decorrente da falta cometida, como se te imobilizasses na vertigem permanente da queda...

Aceitaste o alvitre de ilusões ardilosas e tomaste caminho inverso, reconhecendo-te na condição de alguém, cujo veículo dispara em declive ameaçador, no rumo do abismo...

Superestimaste as próprias forças e assumiste compromissos, acima da própria capacidade, lembrando um discípulo injustamente aguilhoado num teste de competência, para o qual se encontra ainda imaturo...

Viste companheiros queridos, internados em labirintos de sombra, assestando baterias contra a lógica, a te depreciarem o culto à sinceridade e trazes, por isso, o coração arpoado por doloroso desencanto...

Sofreste perdas consideráveis e guardas o espírito, à feição de barco à matroca...

Distorceste o raciocínio, sob o efeito de palavras loucas, desfechadas no ambiente em que vives e cambaleias, qual se tivesses o ânimo ferretoado por dardos de fogo e fel...