|
|
Crer e
Ter Fé
José Reis Chaves
Com o
decorrer dos séculos, os textos bíblicos tiveram várias interpretações. E elas
foram feitas, às vezes, às pressas, por teólogos, hermeneutas e exegetas,
dominados por sentimentos de orgulho, egoísmo, e, por vezes, até irritados, ao
invés de inspirados, pois eram seres humanos imperfeitos como todos nós o somos,
enquanto estamos ainda nesta fase atual de nossa evolução espiritual e moral.
Destarte,
sempre tivemos no Cristianismo ortodoxos e hereges. Os primeiro são
representados geralmente pela classe dos sacerdotes e a grande maioria dos
fiéis, enquanto que os segundos sempre se compuseram de uma pequena minoria de
intelectuais.
E no
passado as polêmicas teológicas eram mais complicadas, ainda, porque a classe
dos sacerdotes assumiu o direito de mandar, enquanto que a classe dos fiéis
seria aquela que deveria ter total e incondicional obediência cega a tudo o que
proviesse das autoridades eclesiásticas, as quais instituíram normas que, muitas
vezes, mais as beneficiavam materialmente do que ajudavam espiritualmente os
seus fiéis a crescerem na senda do Evangelho. Felizmente, tem havido uma melhora
nisso.
Mas há
muitos erros a serem ainda sanados. Um deles é a crença ipsis litteris na
afirmação de Jesus: “Quem crer e for batizado, será salvo”. Crer só é muito
vago. Quem crê que vai chover hoje, nem sabe direito se vai mesmo chover.
Na verdade,
o Mestre disse: “Quem tiver fé”, como está no texto original grego. Mas, por não
existir em Latim o verbo fidelizar, para a tradução da expressão verbal grega
pisteuein (ter fé, como vemos em algumas traduções), São Jerônimo empregou para
a versão desse termo para o Latim da Vulgata o verbo credere (crer), no lugar do
que seria a expressão mais certa habere fidem (ter fé). Certamente, ele não
imaginou, nem de longe, a confusão que isso iria dar no futuro em várias
línguas. |
|