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Deus e o
Livre-Arbítrio
José Reis Chaves
O nosso
livre-arbítrio está para o nosso intelecto, assim como a nossa fala está para o
nosso pensamento. O livre-arbítrio supõe a existência do intelecto, assim como a
fala supõe a existência do pensamento. E esses nossos atributos interagem e
confundem-se entre si no nosso agir constante.
Para
Spinoza, o nosso livre-arbítrio é limitado, pois depende de nossa consciência,
que nunca é totalmente plena. Só a de Deus o é. E, segundo Santo Agostinho, ele
é-nos limitado por causa do nosso pecado original. E, na verdade, o pecado
original é o nosso carma com o qual nascemos.
São
polêmicas essas questões do livre-arbítrio e do seu oposto, o determinismo, pois
ambos são relativos. Quanto mais evoluído for o espírito, maior é seu
livre-arbítrio, e, conseqüentemente, maior sua responsabilidade. É oportuno aqui
nos lembrarmos da frase de Pietro Ubaldi: “Só há responsabilidade onde há
liberdade”
Com efeito,
diante do livre-arbítrio, a Doutrina da Predestinação é insustentável. O
Nazareno, com sua frase “Eu sou o caminho”, mostrou-nos que nós temos que optar
por seu Evangelho, mas se o nosso destino já tivesse sido traçado por Deus, para
que escolheríamos esse caminho? O Novo Catecismo da Igreja diz que o vigário de
Cristo na Terra é a voz de nossa consciência.
E a
pergunta 621 do “Livro dos Espíritos” de Kardec tem, como resposta, que a Lei de
Deus está escrita na nossa consciência. Ora, Deus não teria gravado nela a sua
Lei, se não fosse para ela ser seguida por nós, e para isso, ela tem que passar
pelo crivo de nossa vontade.
E o
nosso destino é feito por nós mesmos, isto é, pelo nosso carma, pois a Lei de
Causa e Efeito é inexorável. “A toda ação corresponde uma reação de igual
potência e reversibilidade”. “Colhemos o que plantamos”. E “Ninguém deixará de
pagar até ao último centavo”. Mas, também, ao pagarmos o último centavo,
estaremos quites! |
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