Deus e a Divindade

José Reis Chaves

 

Os teólogos quiseram analisar e explicar o próprio Deus. No entanto, ensinou-nos Paulo: “As coisas do espírito não podem ser entendidas nem explicadas pelo intelecto.” E a verdade é que, com o devido respeito aos dogmas instituídos, os teólogos criaram a Divindade também para Jesus, gerando, assim, a confusa e misteriosa Santíssima Trindade.

Por essa e outras coisas mais, é que o Cristianismo sempre teve seus hereges. E jamais deixou de haver nele aqueles hereges líderes que, em defesa de seus interesses, sempre se comportaram e comportam como omissos diante dos erros de sua religião, dando para seus fiéis, às vezes, ingênuos e inocentes úteis, a impressão de que crêem em tudo o que pregam, e fazendo de conta que está tudo bem com tudo, com todos e com o mundo, como se a mentalidade de todos fosse a mesma, e como se ela fosse ainda a mesma de outrora.

A Santíssima Trindade sempre criou incrédulos e ateus no Ocidente, como foi também uma das causas do surgimento da Igreja Ortodoxa Oriental, em 1054. De fato, se Deus é infinito, e possui também atributos infinitos, Ele não pode ter três pessoas (uma só já seria demais!), pois Deus transcende pessoas, e essas personalidades limitariam e restringiriam a sua infinitude.

As pessoas da Trindade Hindu (Brahma, Vishnu e Shiva) só existem no sentido de aspectos ou funções pessoais de Brahman, a Divindade, o Único, e que corresponde ao Pai de Jesus Cristo, oportunidade em que queremos lembrar que Jeová nem sempre parece ser esse Pai! Brahman é maior que Brahma, como o Pai é maior que Cristo (João (João 14, 28).

E como o Cristo, nós somos deuses (Salmo 82, 6, e João 10, 34), mas Ele e nós não somos a Divindade, pois, como Ele tem sua própria identidade, nós também temos as nossas. Ela habita plenamente em Jesus Cristo (Colossenses 2, 9), mas habita também em nós: “Não sabeis que o Espírito de Deus habita em vós? (1 Coríntios 3, 16). Só que a Divindade em Jesus estava bem evoluída, e em nós é como se fosse ainda uma semente a germinar.