Teosofia e Teologia

José Reis Chaves

 

Por ser eu teósofo, muitos me têm perguntado o que é Teosofia, e se ela difere da Teologia.

Essa palavra vem do Grego: Teos (Deus) e Sofia (sabedoria). Etimologicamente, pois, Teosofia quer dizer sabedoria sobre Deus. Surgiu no 3º Século, com os grandes filósofos neoplatônicos Amônio Saccas, Plotino, Porfírio e outros. Santo Agostinho era um ardoroso adepto do Neoplatonismo.

Foram também simpatizantes dessa doutrina São Gregório de Nissa e Orígenes, cognominado o “Santo Agostinho do Oriente” e “Adamantino”, tal era o brilho de sua inteligência. Os filósofos da Patrística ou Patrologia Latina são chamados de Santos Padres, e são os criadores da Teologia Cristã.

Entre eles merecem destaque os dois santos citados e Orígenes. Os neoplatônicos procuravam identificar a mística cristã com a mística de Platão, e aceitava a reencarnação.

A união da Igreja com o Império Romano, a partir de Constantino e Teodósio, união essa desastrosa, mas, ao mesmo tempo, necessária e providencial, pois sem ela, a Igreja poderia ter desaparecido, acabou por modificar por completo as coisas. E com isso, desapareceu a Teosofia, que mais se ligava à meditação transcendental do que às cerimônias pomposas das igrejas.

Já o neoplatonismo propriamente dito resistiu a tudo isso até o 13º Século, quando foi banido de vez do Cristianismo, sendo-lhe imposta, a partir de então, a Filosofia Aristotélico-tomista, para o que a Igreja usou os grandes talentos filosóficos de São Tomás de Aquino e Santo Alberto Magno, a partir do que se solidificou também a Filosofia Escolástica, com a qual muito contribuíram também Escoto Erigona, Abelardo, Pedro Lombardo, São Boaventura e Santo Anselmo.

Quem se opusesse a essa nova ordem filosófica era preso, torturado e queimado vivo na fogueira da Inquisição, como aconteceu com os padres Giordano Bruno e Lucílio Vanini.