Ressurreição da Carne ou do Espírito?

José Reis Chaves


Ressurreição e reencarnação seriam a mesma coisa? Veremos que, no conceito tradicional do Cristianismo, às vezes é, e, às vezes, não é. É comum ouvirmos de padres e pastores que a Bíblia fala em ressurreição, e jamais em reencarnação, e que esta nega aquela, o que é um equívoco.

O Nazareno nos recomendou que examinássemos as Escrituras, o que quer dizer que as devemos estudar a fundo, de modo racional e sem viseiras, deixando de lado certos princípios de exegese e de hermenêutica, que, às vezes, não passam de distorções de textos bíblicos, com o objetivo de adaptá-los às teologias dos dogmas que foram sendo instituídos ao longo dos tempos.

Com efeito, sem falar nos cabalistas, que sempre defenderam a reencarnação, os judeus acreditavam nessa doutrina, chamada de ressurreição na Bíblia. Só que eles não entendiam bem o assunto. E não sabiam o que, de fato, ressuscitava, se o corpo, a alma, o espírito ou todos juntos.

Vejamos um exemplo de que para eles ressurreição era realmente reencarnação, e que está em Mateus 16, 13 e 14: “... Quem diz o povo ser o Filho do homem? E eles responderam: Uns dizem: João Batista; outros: Jeremias, ou algum dos profetas”. Vamos examinar só o caso da hipótese de Jeremias, dizendo, antes, que não aceitamos essa hipótese, mas apenas a apresentamos, para comprovar que ressurreição para eles era reencarnação.

Assim, se Jesus lhes poderia ser Jeremias, é óbvio que se trataria do retorno à vida terrena do espírito de Jeremias no corpo de Jesus, pois o de Jeremias era pó no cemitério em que fora enterrado, cerca de 600 anos antes de Cristo.

Geração na Bíblia significa também, em muitos textos, reencarnação ou geração do espírito. Por isso Jó (8, 9), falando justamente de gerações passadas, afirma: “Porque nós somos de ontem, e nada sabemos”. Esse ontem não é o tempo de 24 horas, antes, mas é um tempo longínquo de gerações (reencarnações) passadas.