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O Espírito
de Verdade
José Reis Chaves
Espírito
Santo, Paracleto (Parácleto), Advogado, Defensor e Consolador são sinônimos do
Espírito de Verdade. Para uns ele é o próprio Jesus, que se comunicou com os
apóstolos, com outras pessoas e com Kardec, como sendo chefe dos espíritos da
Codificação Espírita.
O Nazareno
disse que rogaria ao Pai que nos enviasse o Espírito de Verdade (Jo14,16). Mas
afirmou também que Ele próprio no-Lo enviaria (Jo 15,26). Segundo o Mestre dos
mestres, o Espírito de Verdade não falaria por si mesmo, mas o que tivesse
ouvido (Jo 16,13), e que nós nos lembraríamos do que Ele, Jesus, disse.
Logo, o
Espírito de Verdade não pode ser o Espírito Santo (Deus), pois, se fosse Deus
mesmo, falaria por si mesmo, e não o que ouviu (aprendeu) de Jesus.Ademais,
Jesus não poderia enviar o próprio Deus, que é superior a Ele (Jo 14,28).
Na verdade,
o Espírito de Verdade enviado a nós por Deus e Jesus é um espírito santo, bom e,
conseqüentemente, consolador. Com efeito, Deus é absoluto, infinito e o Único.
E, se Jesus fosse também Deus absoluto, infinito, Ele não poderia ser inferior
ao Pai, pois o ser infinito não pode ser menor do que nenhum outro ser.
E, se
Jesus Cristo fosse também infinito, teríamos dois seres infinitos, ou dois
Deuses infinitos, o que seria um absurdo, pois a infinitude de um anularia a
infinitude do outro!
Mas a coisa ficou complicada, pois os teólogos criaram e
divinizaram também o Espírito Santo da Santíssima Trindade. No V. Testamento e
no Cristianismo Primitivo, Ele é desconhecido.
Só havia o Javé, chamado por
Jesus de Pai, Pai Dele e Pai nosso, e que, na verdade, é Pai e também Mãe de
todos os seres humanos, como já o diziam os orientais, há milhares de anos,
referindo-se ao Brâman (não confundir com Brama).
Podemos dizer que Jesus é
Deus, como nós também o somos (Salmo 82, 6 e Jo 10,34), mas Deuses relativos e
criados. Já Deus absoluto, criador, mas incriado, é só o Pai eterno, ou seja, o
"Ser Incontingente" de Stº Tomás de Aquino.
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