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Um Anjo
em Forma de Cão
Marcel Benedeti
Certa noite
eu estava fazendo uma palestra sobre a Espiritualidade dos animais para pessoas
na cidade de Osasco. O assunto da palestra chamou a atenção, pois o tema central
era a sobrevivência da alma dos animais depois da morte do corpo físico.
Apresentamos diversos argumentos que mostravam, por meio de observações
científicas, a possibilidade dessa sobrevivência. Ao final da palestra algumas
pessoas nos cercaram para comentar sobre o assunto abordado e nos contar sobre
diversas situações vividas por elas e que envolviam talvez um contato com
espíritos de animais.
Uma destas
nos contou que voltava tarde da noite do trabalho depois de cumprir horas
extras. Era quase uma hora da manhã. A maioria das pessoas já dormia e as ruas
estavam completamente desertas e silenciosas. O grande temor era o de algum
assalto. Pessoa muito religiosa, pedia a Deus que não permitisse que nenhum
gatuno se aproximasse dela enquanto tentava voltar para casa.
Sua fé era
inabalável, quero dizer, quase inabalável. O temor de ser assaltada se
transformou em algo quase insuportável, quando um black-out tornou as ruas já
desertas e silenciosas em ruas assustadoramente escuras. O medo de que algum
assaltante se aproximasse se tornou quase um pesadelo, pois ela teria que andar
cerca de um quilômetro depois de descer do ônibus.
Em plena
escuridão o veículo se aproximava do ponto onde deveria descer. Apenas as luzes
dos faróis do coletivo iluminavam o local. As preces fervorosas de pedidos de
auxílio por sua segurança se tornaram desesperadas. Enfim é preciso descer da
condução e seguir para casa. “Seja o que Deus quiser…” – pensou ela.
Ao descer
do ônibus, um cão de porte grande estava sentado calmamente como se aguardasse
por alguém. O cão parecia conhecê-la, pois abanou a cauda alegremente como se
encontrasse um velho amigo.
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