Ajudar para não Atrapalhar

Richard Simonetti

 

Durante a manifestação dos chamados Espíritos sofredores, nas sessões práticas de Espiritismo, observam-se, em boa parte dos presentes, três freqüentes reações:

Alguns, achando que a comunicação é sem interesse ou se prolonga em demasia, limita-se ao alheamento, voltando sua atenção para assuntos estranhos ao desenrolar dos trabalhos. Outros, imbuídos de curiosidade, procuram identificar o Espírito através dos elementos fornecidos pela psicofonia mediúnica, imaginando tratar-se do senhor fulano ou do senhor beltrano, pessoas de suas relações.

E há aqueles que se irritam porque o dirigente da sessão não esclarece logo ao comunicante a sua condição de desencarnado, se este demonstra inconsciência de seu estado, ou não age energicamente, induzindo-o a penitenciar-se de seus erros, se parece alguém comprometido no vicio ou acostumado a utilizar os processos da mistificação e da obsessão.

Identificamos, portanto, três reações: desinteresse, curiosidade e irritação. Todavia, os que assim procedem, revelam, inegavelmente, ausência do sentimento de responsabilidade, nascido de melhor conhecimento do mecanismo de intercâmbio com o Além, o que os torna elementos que prejudicam o bom andamento das tarefas de auxílio.

Para que semelhante prejuízo seja evitado é preciso considerar que os Espíritos que se manifestam, para receber ajuda, estão, geralmente, mergulhados em profunda perturbação, o que não lhes permite raciocinar com lógica. A incapacidade, quase sempre evidenciada, em reconhecer o próprio estado, confirma este fato.

Por isso, aquele que conversa com o Espírito não pode ter pressa em vê-lo afastar-se, antes de lhe haver proporcionado alguns recursos de equilíbrio. Não pode deter-se em questões pessoais, tendentes a identificá-lo, não só porque na maioria das vezes ele não estaria em condições de responder satisfatoriamente, como seria falta de caridade.