Até que certo dia tomou conhecimento do Espiritismo. Dali por diante, seus escritos, que antes expressavam amargura, passaram a constituir uma fonte de consolação

Amália havia compreendido que os sofrimentos experimentados nessa vida são heranças das faltas cometidas no pretérito. Passou a compreender que o Evangelho de Jesus é, na realidade, uma fonte de água viva que jorra para a vida eterna.

Foi cognominada de "Poetisa das Violetas" e "Cantora do Espiritismo". Tornou-se uma das mais apreciadas poetisas de seu tempo.

Animada de profunda fé em Jesus Cristo e nos Benfeitores Espirituais, Amália conseguiu recobrar a visão. Eis como ela relata esse importante acontecimento de sua vida:

"Bela manhã, estando em casa, senti repentinamente doloroso e estranho fenômeno. Pareceu-me que toda a minha cabeça se tinha enchido de neve, tal o frio intenso que nela senti. Prestei atenção e acreditei ouvir esta breve palavra:

 LUZ... LUZ... LUZ...; gritei movida por inexplicável impressão: Luz necessito, meu Deus.

E, sem saber por que, chorei. As lágrimas pareciam que me davam vida. Sem dar conta do que fazia, caminhei para um espelho, e com indescritível espanto pude ver os meus olhos perfeitamente abertos como há muito não os podia ver.

Haveria chegado a hora da minha liberdade? Perguntei em alta voz. Julgando que alguém pudesse me responder:

"Sim", murmurou uma voz longínqua. Tomada de contentamento, corri para o médico, que me disse: Amália, graças a Deus, a partir de amanhã poderás trabalhar, porém, sem excessos."

O trabalho de Amália Domingo Soler no campo da divulgação do Espiritismo foi de relevante importância, tendo contribuído decididamente para que a Doutrina dos Espíritos passasse a desfrutar de enorme prestígio naquela nação.