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Promoveu diligências junto ao coronel e este conseguiu facilmente a
remoção da professora. Anália foi para a cidade e alugou uma casa
velha, pagando de seu bolso o aluguel correspondente à metade do seu
ordenado.
Como o restante era insuficiente para a alimentação das crianças, não
trepidou em ir, pessoalmente, pedir esmolas para a meninada. Partiu de
manhã, à pé, levando consigo o grupinho escuro que ela chamava, em
seus escritos, de "meus alunos sem mães".
Numa folha local anunciou que, ao lado da escola pública, havia um
pequeno "abrigo" para as crianças desamparadas. A fama, nem sempre
favorável da novel professora, encheu a cidade.
A
curiosidade popular tomou-se de espanto, num domingo de festa
religiosa. Ela apareceu nas ruas com seus "alunos sem mães", em bando
precatório.
Moça e magra, modesta e altiva, aquela impressionante figura de
mulher, que mendigava para filhos de escravas, tornou-se o escândalo
do dia.
Era uma mulher perigosa, na opinião de muitos. Seu afastamento da
cidade principiou a ser objeto de consideração em rodas políticas, nas
farmácias.
Mas rugiu a seu favor um grupo de abolicionistas e republicanos,
contra o grande grupo de católicos, escravocratas e monarquistas.
Com o decorrer do tempo, deixando algumas escolas maternais no
Interior, veio para São Paulo. Aqui entrou brilhantemente para o grupo
abolicionista e republicano. Sua missão, porém, não era política.
Sua preocupação maior era com as crianças desamparadas, o que a levou
a fundar uma revista própria, intitulada "Álbum das Meninas", cujo
primeiro número veio a lume a 30 de abril de 1898.
O
artigo de fundo tinha o título "Às mães e educadoras". Seu prestígio
no seio do professorado já era grande quando surgiram a abolição da
escravatura e a República. O advento dessa nova era encontrou Anália
com dois grandes colégios gratuitos para meninas e meninos.
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