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"Deu-mo na
cidade e eu morava na Tijuca, a uma hora de viagem de bonde. Embarquei com o
livro e, como não tinha distração para a longa viagem, disse comigo:
ora, adeus! Não hei de ir para o inferno por ler isto... Depois, é
ridículo confessar-me ignorante desta filosofia, quando tenho estudado
todas as escolas filosóficas.
Pensando assim, abri o livro e prendi-me a ele, como acontecera com a
Bíblia. Lia. Mas não encontrava nada que fosse novo para meu Espírito.
Entretanto, tudo aquilo era novo para mim!... Eu já tinha lido ou
ouvido tudo o que se achava no "O Livro dos Espíritos".
Preocupei-me seriamente com este fato maravilhoso e a mim mesmo dizia:
parece que eu era espírita inconsciente, ou, mesmo como se diz
vulgarmente, de nascença".
No dia 16 de
agosto de 1886, um auditório de cerca de duas mil pessoas da melhor
sociedade enchia a sala de honra da Guarda Velha, na rua da Guarda
Velha, atual Avenida 13 de Maio, no Rio de Janeiro, para ouvir em
silêncio, emocionado, atônito, a palavra sábia do eminente político,
do eminente médico, do eminente cidadão, do eminente católico, Dr.
Bezerra de Menezes, que proclamava a sua decidida conversão ao
Espiritismo.
Bezerra era um
religioso no mais elevado sentido. Sua pena, por
isso, desde o primeiro artigo assinado, em janeiro de 1887, foi posta
a serviço do aspecto religioso do Espiritismo.
Demonstrada a sua
capacidade literária no terreno filosófico e religioso, quer pelas
réplicas, quer pelos estudos doutrinários, a Comissão de Propaganda da
União Espírita do Brasil, incumbiu-o de escrever, aos domingos, no "O
País" tradicional órgão da imprensa brasileira, a série de "Estudos
Filosóficos", sob o título "O Espiritismo".
O Senador
Quintino Bocaiúva, diretor daquele jornal de grande penetração e
circulação, "o mais lido do Brasil", tornou-se mesmo simpatizante da
Doutrina Espírita. Os artigos de
Max, pseudônimo de Bezerra de Menezes, marcaram a época de ouro da
propaganda espírita no Brasil. De novembro de 1886 a dezembro de 1893,
escreveu ininterruptamente, ardentemente.
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