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Maldigny colocou um lápis na mão da menina e pediu que ela escrevesse
o que lhe fosse impulsionado. Ermance começou a rir, gracejando, mas,
de súbito, seu braço tomou vida própria e começou a escrever sozinho.
Ao ver-se dominada por uma força estranha, Ermance assustou-se, largou
o lápis e não quis continuar a experiência.
Maldigny examinou o papel e confirmou seu diagnóstico. Os pais de
Ermance ficaram extremamente preocupados. Como a família era famosa na
corte, a notícia logo se espalhou em Paris e Fontainebleau, chegando
aos ouvidos do Marquês de Mirvile, famoso estudioso do Magnetismo.
O
Marquês visitou o castelo dos Dufaux e pediu para examinar Ermance. Os
pais aquiesceram, mas a mocinha teve que ser convencida. Por fim,
Ermance colocou-se em posição de escrever e Mirvile perguntou ao
invisível:
-
Está presente o Espírito em que penso? Em caso positivo, queira
escrever seu nome por intermédio da garota.
A
mão de Ermance começou a se mover e escreveu:
-
Não, mas um de seus parentes remotos.
-
Pode escrever seu nome?
-
Prefiro que meu nome venha diretamente à sua cabeça. Pense um
instante.
-
São Luís, rei de França (1), primo do primeiro nobre de minha família?
-
Sim, eu mesmo.
-
Vossa Majestade pode dar-me um prova de que é realmente o nosso grande
rei?
-
Ninguém nesta casa sabe que você e seus parentes me consideram o Anjo
da Guarda da família.
Se Maligny via o caso de Ermance como doença, o Marquês também tinha
suas explicações preconcebidas. Na sua opinião, ela apenas captava as
idéias e pensamentos presentes no ambiente. Isso na melhor das
hipóteses. Na pior, a jovem estava sendo intérprete do Diabo, pois,
como católico, ele não acreditava que os mortos pudessem se comunicar.
Uma análise conclusiva deveria ser feita pela Academia de Ciências de
Paris.
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