|
Segundo o ex-rei, Ermance, assim como Kardec, era uma druidesa
reencarnada. Os laços entre os dois se estreitaram e ela se tornou a
principal médium das reuniões domésticas do Prof. Rivail.
No final de 1857, Kardec teve a idéia de publicar um periódico
espírita e quis ouvir a opinião dos guias espirituais. Ermance foi a
médium escolhida e, através dela, um Espírito deu várias e ótimas
orientações ao Mestre de Lion. O órgão ganhou o nome de "Revista
Espírita" e foi lançado em Janeiro do ano seguinte.
Como o apartamento de Allan Kardec ficou pequeno para o grande número
de frequentadores da sua reunião, alguns dos participantes decidiram
alugar um local maior.
Para isso, porém, precisavam de uma autorização legal. O Sr. Dufaux
encarregou-se de obter o aval das autoridades, conseguindo em quinze
dias o que, normalmente, levaria três meses.
Conquistada a liberação, o Codificador e seus discípulos fundaram a
Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, em Abril de 1858. Ermance
foi uma das sócias fundadoras.
Durante o ano de 1858, Ermance recebeu mais duas autobiografias
mediúnicas. Desta vez, os autores foram os reis franceses Luís XI e
Carlos VIII. O Codificador elogiou o trabalho da Srta. Dufaux (2) e
transcreveu trechos das "Confissões de Luís XI" na Revista
Espírita(3).
Nesse mesmo ano, Kardec divulgou três mensagens psicografadas pela
jovem sensitiva (4). Não temos notícia sobre a possível publicação das
memórias de Carlos VIII.
Canuto Abreu revelou que Rivail a utilizou como médium na revisão da
2ª edição de O Livro dos Espíritos.
Em 1859, Ermance não é mais citada como membro da SPEE nas páginas do
mensário kardeciano. Isso leva-nos a crer que ela teria saído da
Sociedade.
Outro indício dessa suposição é que São Luís passou a se comunicar
através de outros sensitivos (Sr. Rose, Sr. Collin, Sra. Costel e
Srta. Huet). Não há, igualmente, registros da continuidade do seu
trabalho em outros grupos. |