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Fénelon
deixou por algum tempo as Novas católicas, a fim de tomar posse do novo cargo,
mas logo retornou a Paris e reassumiu a direção da instituição, posto em que
permaneceria por dez anos.
Escreveu
nesse período, De L'éducation des filles, primeira obra significativa em sua
carreira de escritor e educador. O livro, solicitado pela duquesa de Beauviller
para orientá-la na educação de suas filhas, alcançou grande sucesso, tornando-se
obra de referência para as famílias da época, bem como texto de consulta para os
estudiosos da pedagogia.
Graças a
sua simplicidade, doçura e caridade, Fénelon obteve considerável sucesso na
tarefa, conseguindo converter rapidamente grande número de pessoas. Fénelon não
se iludiu com suas numerosas conquistas, reconhecendo que nem todas eram
sinceras. Uma avaliação realista, essa. Com os protestantes em minoria e postos
fora da lei, o catolicismo tornara-se mais confortável ou, no mínimo, mais
seguro. Mesmo assim, acrescenta, o resultado de sua missão foi considerado
"muito satisfatório".
Não
escapou, no entanto, de algumas críticas. É que as alas mais radicais da igreja
atacaram seus métodos de conversão e o consideraram "demasiado condescendentes
com os heréticos". Ele preferiu não se justificar.
Nesse
ínterim, vagou-se o bispado de Poitiers. O nome de Fénelon foi indicado e o rei
concordou, mas a nomeação não chegou a concretizar-se, segundo se diz, por causa
das intrigas do nobre senhor de Harlay, arcebispo de Paris, que tinha lá suas
divergências com Bossuet, e não via com bom olhos a amizade de Fénelon com o
rival. Tudo no melhor estilo da pior política de bastidores.
Por essa
mesma época, Fénelon sofreu outro revés. Alguém - seria ainda o senhor arcebispo
de Paris ? - convenceu o rei a negar-lhe a nomeação como co-adjutor do arcebispo
de La Rochelle, que o desejava como colaborador.
Pouco
depois, em 1689, os bons ventos do sucesso voltaram a soprar a favor do jovem
prelado. O duque de Beauvilliers, designado "governador" do jovem duque de
Borgonha - neto do rei e herdeiro presuntivo da coroa - escolheu Fénelon para o
honroso cargo de preceptor do príncipe.
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