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O
menino aprendeu a apanhar calado, sem chorar. Diariamente, à tarde,
com vergões na pele e o sangue a correr-lhe em delgados filetes pelo
ventre, ele, de olhos enxutos e brilhantes, se dirigia para o quintal,
a fim de reencontrar a mãezinha querida, vendo-a e ouvindo-a, depois
da oração.

Quatro anos depois, terminou seu martírio. Seu pai casou-se novamente
com D. Cidália, que passou a ser sua madrasta, alma boa e caridosa, o
recolheu-o carinhosamente, e a todos os irmãos que estavam espalhados.
A
situação econômica da família era difícil. O salário do chefe da
família dava escassamente para o necessário e os meninos precisavam
estudar.
Foi então que a boa madrasta teve uma idéia: plantar uma horta e
vender os legumes.
Em algumas semanas, o menino já estava na rua com o cesto de verduras.
Desta forma, conseguiram encher o cofre e voltar a freqüentar as
aulas.
Aos nove anos seu pai, empregou-o como aprendiz numa indústria de
fiação e tecelagem.

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