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Recebeu de um
amigo a doação de uma Kombi para poder ser levado às palestras. Jerônimo
tornou-se orador espírita. Podemos dizer que ele conseguiu transformar seu leito
numa tribuna ambulante (deu palestras pelo Brasil todo) e por meio dela
conseguiu realizar um grande e valioso trabalho.
Quem o conheceu afirma que ele
estava sempre rindo, gostava de um bom papo e de cantar também. Certa vez, o Dr. Fritz disse-lhe que ele tinha a doença de três cês – cama, carma
e calma. Os amigos sempre levavam Jerônimo ao cinema e também a outros lugares
para se distrair.
Estando,
certa ocasião, justamente num cinema, uma moça tropeçou em sua cama e
“explodiu”: “Mas não é possível! Aonde eu vou, está o aleijado! Vou a uma festa,
o aleijado lá! Esse aleijado me persegue! Aonde eu vou, ele está!”. Jerônimo
pensou consigo: “E agora?! A moça está revoltada, nervosa mesmo. Tenho que lhe
dar uma resposta, mas não quero irritá-la mais ainda. O que dizer?” E saiu com
essa: “Mas também, minha filha, você não pára em casa, hein!”. Ela olhou-o
atônita e começou a rir. Riram juntos. Ficaram amigos.
Permaneceu
assim cerca de trinta e dois anos preso ao leito, paralítico e com a agravante
perda da visão. Quase não dormia, aproveitou para estudar bastante o
Espiritismo. Quando ficou cego amigos liam para ele.
Nunca lhe
faltaram bons amigos. Mas certa vez, um repórter lhe perguntou o que é a
felicidade. Ele respondeu assim: “A felicidade, para mim, deitado há tanto tempo
nesta cama sem poder me mexer, seria poder virar de lado”. Em outra ocasião, ele
disse: “Casei-me com a Doutrina Espírita no civil e com a dor no religioso”.
Eis alguns
casos da vida desse vulto do espiritismo:
1 - Por ocasião de um “enterro”, quando
o cortejo seguia para o cemitério, sua Kombi estava logo atrás. Retirado o
caixão, quando as pessoas se dirigiam para o local, um alcoolizado que passava,
vendo os amigos lhe carregando a cama, exclamou: “Nossa! Dois defuntos!
Esqueceram o caixão deste!”. Ele aprendeu a não se revoltar com comentários
infelizes. Gostava de citar uma frase de Cairbar Schutel: “Melindres é orgulho
ferido”.
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