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2 - Numa
palestra de Divaldo Pereira, a cama de Jerônimo estava em evidência, na frente,
para não atrapalhar os que quisessem passar. Em certo momento, aproximou-se um
homem alcoolizado, ou seja, bêbado, na linguagem comum. Disse-lhe: “Paralítico,
levanta-se e anda!” E Jerônimo lhe disse – “Depois, meu amigo, depois”. Temia
Jerônimo que a cena fosse notada e atrapalha-se a palestra “paralítico,
levanta-te e anda!”, insistiu o bêbado. “Bem que eu queria, mas não consigo”,
falou baixo o Jerônimo, tentando chamar o homem à razão. O bêbado saiu
desconsolado: “Oh, homem de pouca fé!”.
3 - Ele
costumava ser requisitado para a prece de despedida por ocasião da desencarnação
de conhecidos. Um dia, próximo ao túmulo, coube-lhe a palavra. Depois
emocionadas, as pessoas foram saindo, conversando. Esqueceram-no no cemitério.
Altas horas da noite, quando os amigos foram visitá-lo em casa e ele não estava,
é que se lembraram do cemitério, indo buscá-lo. Em ocasiões como essa,
exercitava a resignação. Tinha que esperar que se lembrassem dele, até para um
cafezinho ou um copo de água.
4 - Um
certo dia um Senhor foi orientado pela irmã de Jerônimo, para que esse fosse
fazer uma visita a seu irmão, e assim o fez. Quando chegou a casa ele foi
convidado a entrar e, ouvindo o barulho do pessoal nos fundos da casa, para lá
se dirigiu. As gargalhadas do Jerônimo sobressaíam à distância. O homem estava
tão desesperado que ao ouvir os risos virou-se a D.Terezinha e disse, revoltado:
- “É esse homem que ira me confortar?”.
Fez-se silêncio o senhor foi chamado e apresentado. – “Jerônimo, aqui está um
senhor que veio de São Paulo só para conversar com você. Por certo, desejará
fazê-lo sozinho”. Os jovens se retiraram,
e o senhor tomou a palavra: - “Olha moço, eu era uma pessoa muito rica até uma
semana atrás.
Eu tinha uma fazenda com eletricidade, com todo conforto da vida
moderna, até campo de aviação. Tinha tudo. Fui tão incauto, que ao fazer a venda
da fazenda passei a escritura e recebi uma nota fria”.
O Jerônimo estranhou o que
era uma nota fria. – “Uma duplicata sem valor. Eu não tive nem condições de
reclamar. O advogado falou que era perca de tempo.”
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