"A minha família antes se tolerava, porque nós conversávamos por bilhetes, eu nos meus weekends, a minha esposa nos seus chás, e os filhos, iam onde queriam. Agora, todos vêm em cima de mim, me cobrando o conforto, me cobrando a fazenda; eu não resisto a essa situação. Estava na farmácia justamente comprando um remédio para dar fim à minha vida, quando apareceu um amigo, que perguntou: ”Para que você quer isso?”. Como ele sabia do negócio que eu fiz e do meu desespero, ele falou: ”Eu não admito que você compre esse remédio!”

Eu respondi: ”Como? Você não manda na minha vida!”

Aí ele me disse: “Eu vou deixar, sim, você cuidar de sua vida, se você me prometer que vai conversar com o Jerônimo Mendonça, em Intuiutaba. Eu lhe dou a passagem”.

Ele me deu a passagem, aqui estou eu, mas acho que eu perdi tempo, porque você é uma pessoa feliz, que não sabe o que é o sofrimento alheio.

O Jerônimo lhe respondeu: “Meu amigo, você é uma pessoa que realmente está sofrendo. Você perdeu uma fazenda maravilhosa, mas vamos supor que essa criatura que lhe comprou a fazenda voltasse agora e lhe perguntasse: “Você quer trocar a fazenda por um olho seu?”

- Ah! Jerônimo, que bobagem é essa, isso é conversa que se fale!

- Não, o olho não, o olho é muito precioso, então vamos supor... Um braço.

- Ah! Mas que bobagem! Que conversa! Onde já se viu isso?

- Oh meu amigo! E cheguei à conclusão que você não é pobre, você não é miserável. Você é arquimilionário das bênçãos de Deus. O homem ao sair dali mudou seu modo de pensar, sempre que podia voltava para trocar idéias com Jerônimo, e acabou se tornando um trabalhador da seara espírita.