Diz mais aquele autor que Marchesi tinha duas casas de sua propriedade, numa das quais tinha sua oficina de folheiro, posteriormente transformada em armazém de secos e molhados e que, além de folheiro, o italiano Marchesi desenvolveu outras atividades como: negociante, quitandeiro, fabricante de banha e lingüiça de porcos e comércio de móveis.

Quanto à vida espírita de João Marchesi, os registros disponíveis informam que teria se iniciado por volta de 1912. Elpídio narra em seu já mencionado livro que: “Já por meados de 1920, João Marquese, semi-analfabeto, reuniu-se comumente com outros amigos em sessões espíritas. De imediato, compra as obras exponenciais de Léon Hippolyte Denizard Rivail, “Allan Kardec” e uma Bíblia, fazendo anotações as comparava e assim se lhe deslumbrou diante de sua alegria, o Mundo dos Espíritos. Deixo aqui o nome de sua mentora do além, uma moça bela e loira, que dera o nome de Esperança”.

Com a colaboração de diversos amigos, entre os quais: Giocondo Verri, Antônio Poço, Marino Jardim, Caetano Baraldi, José Verri e Paulo Galindo, João Marchesi deu início à construção da sede do Centro Espírita “Discípulos de Jesus”, em um grande terreno de 22x44m, que ele próprio adquirira para sua residência e ao lado da qual, edificara um pequeno cômodo, onde, por muitos anos, funcionou aquele Centro, fundado no dia 22 de junho de 1925.

Sabe-se também que Marchesi recebeu grande apoio do Dr. Raymundo Mariano Dias, personalidade de escol do movimento espírita de Barretos que residiu na vizinha cidade de Birigüi - SP, entre os anos de 1922 e 1924 e, também, de Cairbar Schutel, o grande “Bandeirante do Espiritismo”, residente em Matão, que, da mesma forma como fizera com outros dirigentes espíritas, como no caso de Gedeão Fernandes de Miranda, fundador da União Assistencial Espírita de Araçatuba, ajudou João Marchesi na elaboração dos Estatutos do Centro Espírita “Discípulos de Jesus” e, com isso, possibilitou-lhe legalizar a tradicional Casa Espírita penapolense.

Elpídio menciona que João Marchesi tinha o hábito de fazer leituras sistemáticas de trechos do Novo Testamento, seu livro preferido, e que, se de início, as mesmas pareciam provocar certo cansaço nos ouvintes, quando se iniciavam as explicações:

“Todos ficavam atônitos com suas revelações; comparava o Novo Testamento com os livros de Kardec e, então percebemos, se o Novo Testamento é a continuação do Velho, os livros de Kardec são a complementação de ambos”.