Um episódio digno de menção e que em muito enaltece a existência ilibada e cheia de virtudes de João Marchesi foi o encontro com a grande e festejada espírita da Noroeste - Benedita Fernandes -, que, no ano de 1922, perambulando por Penápolis, completamente obsediada, foi atendida primeiramente pela família de Elpídio Antônio Moreira, que contou com a indispensável e desvelada ajuda do eficiente passista João Marchesi para o atendimento espiritual daquela que se transformaria, pouco tempo depois, num dos mais importantes esteios do movimento espírita de Araçatuba.

Elpídio registra que, em face do problema obsessivo de Benedita Fernandes, que vagava pela sua casa dizendo coisas sem nexo e impossibilitados de mantê-la no reduto doméstico, requisitaram o concurso do carcereiro Padial, segundo ele “um espanhol de pouca prosa e bondoso”, que recolheu a doente na Delegacia de Polícia para lhe dar comida, cama e proteção e, com isso, propiciando-lhe alcançar o despertamento luminoso que a converteria, segundo Antônio César Perri de Carvalho, na “Dama da Caridade”, uma vida que é só exemplos, voltada ao atendimento diuturno de doentes mentais, crianças sem lar, peregrinos sem rumo e a difusão eficiente e cuidadosa dos postulados espíritas consubstanciados na gigantesca obra da codificação Kardequiana.

João Marchesi naturalizou-se brasileiro e, com isso, além de receber o Título de Eleitor de número 1924, em 25 de agosto de 1934, teve o seu nome adaptado à nossa língua, passando a assinar Marchesi ao invés de Marquese.

Em 1956, foi criada a Caravana da Fraternidade “Auta de Souza”, com a finalidade de arrecadar, pelo trabalho voluntário e por toda a cidade, doações que, até o ano de 1970, eram distribuídas para as famílias carentes e, posteriormente, destinadas à manutenção da própria creche que também leva aquele nome – Auta de Souza –, outra dama da caridade que a família espírita tanto venera.

Pouco tempo depois, aquele mesmo grupo dá início à construção de um asilo espírita, em terreno doado pela família Gomes, situado na Rua Dr. Ramalho Franco, 1039, transformado posteriormente em um hospital espírita que, a partir de 1994, ganhou o nome de Hospital Espírita “João Marchesi”, uma justa homenagem ao seu idealizador.