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Indaga-lhe ele: - “Por que você quer que eu acredite na imortalidade?
Que ganha você com isso?”
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“Nada! O que não quero é que você seja cego! Sofrendo estupidamente,”
retrucava ela.
De Cético Ferrenho À Espiritualista
Convicto
Tiveram, numa tarde, um desses “arranca-rabos” lá na Praça das
Bandeiras, e ele saiu furioso, para tomar o ônibus para sua casa, sem
ao menos dizer-lhe: “até amanhã”. Marjori julgou que naquele dia
tivessem rompido de vez aquela amizade tão turbulenta.

Grande foi sua surpresa, na tarde seguinte, quando Monteiro Lobato,
pelo telefone, numa tremenda euforia, quis falar-lhe.
Marcaram encontro na Livraria Brasiliense. A curiosidade da jovem
Marjori não tinha tamanho. Entrou esbaforida pela livraria e lá estava
ele risonho e feliz.
Contou-lhe, entusiasmado, que através de um sistema sui-generis
recebera mensagens de seis amigos falecidos há anos.
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“Os argumentos de que você não dispunha para desarmar-me, diante da
minha irredutibilidade, eles (os espíritos dos seis amigos
comunicantes na noite anterior), com aquela prova, indiscutível, de
sua presença, convenceram-me, sem sombra de dúvida. Estou abismado!
Vejo o mundo, agora, sob um prisma muito diferente.”
Assim, depois dessa sessão, Lobato se convenceu da imortalidade
espiritual do homem e possibilidade de comunicação com os “mortos”.
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