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Em outros termos: se não podemos fazer ao nosso próximo o que
quiséramos que ele nos fizesse, ao menos não lhe façamos o que não
desejamos para nós. Embora todos conheçamos há muito tempo esta
verdade, em vez de realizá-la, os homens se matam, roubam, violentam.
E
assim, em vez de viverem na alegria, na tranqüilidade, no amor,
sofrem, penam e não sentem senão ódio e medo uns dos outros. Por toda
a parte, em toda a superfície da Terra, os homens tratam de dissimular
sua vida insensata, esquecerem-se de si mesmos, sofrear seu
sofrimento, sem poderem conseguir; o número dos desgraçados que perdem
a razão e se suicidam aumenta todos os anos, porque é superior às suas
forças suportar uma vida contrária à natureza humana.
Mas, dir-se-á, talvez, é necessário que a vida seja assim; é
necessária a existência dos imperadores, dos reis, dos governos, dos
parlamentos que mandam milhões de homens, providos de fuzis e de
canhões, atirarem-se uns sobre os outros; necessárias as fábricas e os
estabelecimentos que produzem objetos inúteis e prejudiciais, e onde
milhões de homens, mulheres e crianças são transformadas em máquinas,
sofrendo 10,12 e 15 horas por dia; necessário o despovoamento
crescente das cidades e a invasão das mesmas com asilos noturnos, seus
refúgios de crianças, seus hospitais; necessário o aprisionamento de
milhares de homens.
Acaso é necessário que a doutrina do Cristo, que ensina a concórdia, o
perdão das ofensas, o amor ao próximo, ao inimigo; seja inculcada aos
homens por sacerdotes de várias e numerosas seitas em luta contínua, e
sob fórmulas de fábulas estúpidas e imorais sobre a criação do mundo e
do homem, sobre seu castigo e sua redenção pelo Cristo, e sobre tal ou
qual rito, tal ou qual sacramento? |
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