Diversidade Religiosa

Celso Martins

 

É quase instintivo na natureza humana o impulso de querer que o outro pense igualzinho a nós em tudo por tudo. Nas opiniões políticas; nas conferências esportivas; no estilo de viver; na forma de educar os filhos (caso sejamos pais ou até avós). E, para não ser exceção, nas convicções religiosas.

Agimos assim porque consideramos nossa conduta como sendo mais acertada, mais correta, daí devendo servir de modelo para todos. Não procedemos desta forma por maldade, não. É que desejamos que o outro sinta a alegria que sentimos por adotarmos este ou aquele procedimento. Pode ser postura amável mas é também indesejável!

Ocorre que há um grande equivoco no julgamento de quem assim se comporta. Um engano fundamental decorrente de não se levar em conta a diferença individual que existe até entre dois gêmeos univitelinos, que dizer, entre gêmeos que se formam de um mesmíssimo ovo ou zigoto. Eles não são identicamente iguais, eles são extremamente parecidos.

A Biologia traz a baila a ação do meio que, agindo sobre os dois de modo bem próximo, há o fato de um reagir de um modo e o outro reagir de maneira diferente. Então, eles não são iguais. Na verdade, podem ser apenas extremamente parecidos, mas não iguais.

A Doutrina Espírita vai mais longe porque traz o centro da discussão do assunto: o espírita. Cada um de nós é, na sua essência mais íntima, um espírito na Terra temporariamente vestindo um corpo de carne e osso.

E este espírito tem a sua história individual, tem o seu passado, as suas aquisições, o seu patrimônio que foi armazenado, a pouco e pouco, em sua longa vida através de sucessivas existências materiais e experiências obtidas também entre uma e outra encarnação.

Por tudo isto, não há ninguém igual a mim em todo o Universo. Nem há, nem houve, nem haverá. O Espiritismo é bem claro nesta análise. Deus a todos trata por igual criando-os simples e ignorantes, quer dizer, nem bons nem maus.