Atire A Primeira Pedra

Rogério Coelho

 

“Quem julga o seu semelhante, não se enxerga e, na verdade, a si se julga” – François C. Liran.

No célebre episódio da “mulher adúltera” ao ordenar à multidão que “atirasse a primeira pedra aquele que estivesse isento de pecado”, foi como se Jesus tivesse levantado um espelho, no qual a turba ensandecida enxergou os próprios delitos...

Afirma Kardec: “Aos olhos de Deus, uma única autoridade legítima existe: a que se apóia no exemplo que dá do bem. É o que – igualmente – ressalta das palavras de Jesus”.

“Atire a primeira pedra...” – “Essa sentença – continua o Mestre Lionês – “ faz da indulgência um dever para nós outros, porque ninguém há que também não necessite para si próprio, da indulgência”.

José, espírito protetor (Kardec, “O Evangelho Segundo o Espiritismo” – Capitulo X, item 16.) , afirma ser a “indulgência um sentimento doce e fraternal que todo homem deve alimentar para com seus irmãos”.

A indulgência não vê os defeitos de outrem, ou, se os vê, evita falar deles, divulgá-los. Ao contrário, oculta-os, a fim de que se não tornem conhecidos senão dela unicamente, e, se a malevolência os descobre, tem sempre pronta uma escusa para eles, escusa plausível, séria, não das que, com aparência de atenuar a falta, mais a evidenciam com pérfida intenção.

A indulgência jamais se ocupa com os maus atos de outrem, a menos que seja para prestar um serviço; mas, mesmo neste caso, tem o cuidado de os atenuar tanto quanto possível. Não faz observações chocantes, não tem nos lábios censuras; apenas conselhos e, as mais das vezes, velados”

Após alinhar essas oportunas observações, o Benfeitor conclama-nos em sublime peroração.

“Sede indulgentes, meus amigos, porquanto a indulgência atraí, acalma, ergue, ao passo que o rigor desanima, afasta e irrita”.