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Justiça
Plena
Orson Peter
Carrara
Afinal, que Deus é esse que permite tantas desigualdades sociais? Como
entender as diferenças humanas, gritantes muitas vezes, no âmbito
social, cultural, moral, emocional? Onde fica a justiça diante de
destinos e sortes tão diferentes, perante a alegada igualdade de
origem?
Doentes ou
mutilados durante toda a vida perante saudáveis que desfrutam plenamente a vida;
pobres ao extremo diante de ricos que parecem privilegiados; fome e miséria para
uns, abundância para outros; crime ombreando a cultura e tudo mais.
Como
entender, compreender, aceitar?
São
perguntas justas, coerentes. E não estão todas enumeradas. Há uma série
infindável de indagações que perturbam e embaralham a mente humana. Há um
detalhe, porém, desconhecido ou incompreendido. Cada pessoa, esteja na situação
que estiver, está na condição que construiu para si mesma ou necessita estar.
É simples.
Não estamos no planeta pela primeira vez. Já vivemos outras épocas, ocupando
outros corpos, em outros locais. Acumulamos experiências, tropeços, erros e
conquistas, tanto morais quanto intelectuais. Mas não foram experiências
desconectadas entre si, mas simplesmente a mesma vida em existências diferentes.
Não temos a
memória delas justamente para que façamos da presente existência um novo
laboratório de conquistas que nos ensejem o mérito do próprio esforço. Estamos
novamente no planeta para aprimorarmos o sentimento, o intelecto, o
relacionamento com as demais pessoas.
E como há
absoluta solidariedade na seqüência destas existências, colhemos agora o que
plantamos antes e colheremos no futuro o que semeamos no presente.
Em todos os
sentidos. Justo, não é? Pelo menos, podemos afirmar, sem medo de errar, que a
cada um segundo suas próprias ações. |