“Nenhum
espírito em face do bom senso, que deve presidir a existência das criaturas,
pode fazer apologia da loucura generalizada que adormece as consciências nas
festas carnavalescas.
É
lamentável que na época atual, quando os conhecimentos novos felicitam a
mentalidade humana, fornecendo-lhes a chave maravilhosa dos seus elevados
destinos, descerrando-lhes as belezas e os objetivos sagrados da Vida, se
verifiquem excessos dessa natureza entre as sociedades que se pavoneiam com os
títulos da civilização.
Enquanto
os trabalhos e as dores abençoadas, geralmente incompreendidos pelos homens,
lhes burilam o caráter e os sentimentos prodigalizando-lhes os bens físicos
inapreciáveis do progresso espiritual, a licenciosidade desses dias
prejudiciais opera, nas almas indecisas e necessitadas do amparo moral dos
outros espíritos mais esclarecidos, a revivescência de animalidade que só os
longos aprendizados fazem desaparecer.
Há nesses
momentos de indisciplina sentimental o largo acesso à treva nos corações e às
vezes, toda uma existência não basta para realizar os reparos de uma hora de
insânia e de esquecimento do dever.