Tapetes Vermelhos

Rogério Coelho

 

“A manjedoura singela deverá ser sempre o paradigma a permear o caminho do verdadeiro servidor do Cristo”. – François C. Liran

Não é fácil desvencilharmo-nos dos ancestrais atavismos gerados por nossos pretéritos equívocos dos tempos da ignorância total, quando valorizávamos os desvalores e deixávamos a direção de nosso destino entregue ao orgulho e à vaidade, qual barco à deriva no proceloso oceano da autofascinação.

É lamentável observarmos, ainda hoje, as conseqüências desses resíduos no comportamento de muitos companheiros da Seara Espírita.

Certa feita, um desses irmãos envolvidos nas traiçoeira malhas da autofascinação, iniciou sua conferência com o seguinte pedido à complacente platéia: “Quando eu terminar a minha fala, por favor, não me aplaudam”. (?).

Naturalmente ele tinha convicção de que ia “arrasar”!...

Em outra ocasião, após a conferência, o diretor da Instituição, vindo parabenizar o orador pelo excelente trabalho realizado, disse-lhe: “Você precisa voltar aqui mais vezes, Nós gostamos muito do seu estudo”.

Ao que o autofascinado respostou: “Sinto muito meu irmão, mas não posso atender à sua sugestão porque, afinal de contas eu tenho que zelar pela minha imagem e não posso ficar me “queimando” falando muitas vezes numa mesma Casa Espírita”.

Certo ardoroso e incondicional fã de um orador espírita estava organizando uma agenda deste para uma região e, solicitado para que incluísse um determinado Centro Espírita no roteiro do “famoso conferencista” negou o pedido alegando que as instalações daquele centro não eram dignas para recepcionar o seu ídolo, e ademais as pessoas que ali freqüentavam não tinham nível intelectual para alcançar o conteúdo das palestras que ele proferia.