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Jornalismo Espírita
Deolindo Amorim
O estudioso
da doutrina que se disponha a aprofundar-se no conhecimento de seus postulados e
à pesquisa de seus princípios e sólidos fundamentos, para, posteriormente,
divulgá-los e comentá-los, é um arauto designado pela Espiritualidade, que se
anuncia pela letra e não pela voz.
Dele
requer-se dedicação, sacrifícios, tolerância, senso acendrado de ética,
ajuizamento dos fatos, mais com o coração do que com o cérebro.
Dele
requer-se o entusiasmo, sem que, contudo a fidelidade dos fatos possa ser
prejudicada.
Dele
requer-se ponderação, ainda que seu íntimo esteja em brasa, ante intransigências
e incompreensões.
O
jornalista espírita é um intérprete, um tradutor das verdades Kardequianas, que,
pelos vícios do galicismo, pela vibração de sentido das palavras, com o passar
do tempo, torna-se, muitas vezes, difícil assimilação por muitos.
O
jornalista espírita é preparado para esta tarefa, porque nada, rigorosamente é
obra do acaso.
O êxito do
jornalismo espírita faz estremecer as organizações de espíritos menos felizes,
pois, quando menos entendam os espíritas de sua Doutrina, mais fácil a semeadura
de superstição, da descrença, da ritualística, das “verdades” sem lastro...
Quanto mais
evolua a imprensa espírita, menos êxitos terão os vassalos das interpretações
polemizantes, sem outro objetivo que não o de cindir, de desarmonizar.
Eis a razão
pela qual, também, neste campo, existe tanto personalismo, tanta vaidade, tantos
interesses pessoais se sobrepondo ao coletivo.
A Doutrina
Espírita precisa de seu jornalismo. Não foi sem razão de ser que, em 1858, o
Mestre Allan Kardec recebeu permissão da Espiritualidade Superior para iniciar a
edição da Revista Espírita, não é sem motivo que a imprensa espírita cresce e se
desenvolve, nascendo periódicos a quantos feneçam. |
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