Suicídio Moral

Emerson Oliveira Cavalcante

 

Suicídio: desgraça ou ruína proporcionada ao próprio indivíduo por falta de bom senso; autodestruição; arruinar-se por culpa de si mesmo.

Vivemos em um mundo extremamente atribulado, com profundas contradições, em que a pressão mental do dia a dia contribui para os nossos desajustes, na medida em que não exercitamos a capacidade de refletir sobre as situações ao nosso redor, procurando resolvê-las com o necessário discernimento.

A ruptura com as posturas éticas e a inversão dos valores morais incentivam o gradual e progressivo ambiente de descrença, e o conseqüente vazio existencial mantém um grande número de pessoas sem perspectivas, buscando compensações nos prazeres transitórios e nas aparências exteriores.

O suicídio é uma resposta do desespero da criatura que não consegue enxergar nada além do que os males que a aflige. É o extremo da falta esperança que a faz privar-se voluntariamente daquele que é o seu direito primeiro: o direito à vida.

A Doutrina favorece a compreensão das angústias e provações temporárias que vem ao nosso encontro em resgates inevitáveis com a nossa consciência, ainda afastada do equilíbrio das leis divinas. Porém, nos cabe sempre questionar se nossas aflições presentes não são o resultado previsível de comportamentos desajustados respectivos que sustentam o círculo vicioso de expiações causadas por nossa imprudência.

Em “O Livro dos Espíritos”, obra basilar do Espiritismo Cristão, Allan Kardec indaga os Benfeitores Espirituais na questão 952: “O homem que perece vítima do abuso de paixões que ele sabe dever apressar seu fim, mas às quais ele não tem mais o poder de resistir, porque o hábito fez delas verdadeiras necessidades físicas, comete um suicídio?” A resposta é a seguinte:

“É um suicídio moral. Não compreendeis que o homem é duplamente culpado nesse caso? Há nele falta de coragem e animalidade, e além disso, o esquecimento de Deus”.