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Evocação
do Natal
Francisco Cândido Xavier
O maior de
todos os conquistadores, na face da Terra, conhecia, de antemão, as dificuldades
do campo em que lhe cabia operar.
Estava certo de que entre as criaturas humanas não encontraria lugar para
nascer, à vista do egoísmo que lhes trancava os corações; no entanto, buscou-as,
espontâneo, asilando-se no casebre dos animais.
Sabia que
os doutores da Lei ouvi-lo-iam indiferentes, com respeito aos ensinamentos da
vida eterna de que se fazia portador; contudo, entregou-lhes, confiante, a
Divina Palavra.
Não
desconhecia que contava simplesmente com homens frágeis e iletrados para a
divulgação dos princípios redentores que lhe vibravam na plataforma sublime, e
abraçou-os, tal qual eram.
Reconhecia
que as tribunas da glória cultural de seu tempo se lhe mantinham cerradas, mas
transmitiu as boas novas do Reino da Luz à multidão de necessitados,
inscrevendo-as na alma do povo.
Não
ignorava que o mal lhe agrediria as mãos generosas pelo bem que espalhava,
entretanto, não deixou de suportar a ingratidão e a crueldade, com brandura e
entendimento.
Permanecia
convicto de que as noções de verdade e amor que veiculava levantavam contra ele
as matilhas da perseguição e do ódio; todavia, não desertou do apostolado,
aceitando, sem queixar, o suplício da cruz com que lhe sufocavam a voz.
É por isso
que o Natal não é apenas a promessa da fraternidade e da paz que se renova
alegremente, entre os homens, mas, acima de tudo, é a reiterada mensagem do
Cristo que nos induz a servir sempre, compreendendo que o mundo pode mostrar
deficiências e imperfeições, trevas e chagas, mas que é nosso dever amá-lo e
ajudá-lo mesmo assim.
Emmanuel
(espírito) |
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