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O Bêbado
e a Bíblia
Esse Capeli
Tornou-se
habitual à visita de evangélicos pela manhã dos sábados e domingos, com a Bíblia
surrada debaixo do braço, livrinhos e folhetos à mão, para venda por preço
aparentemente simbólico. Já é tão comum que, gracejando costumamos dizer: “Você
vai sair antes ou depois dos crentes chegarem?”. É a luta dos biblidólatras pelo
proselitismo.
Numa dessas
abordagens por um grupo liderado por uma senhora de fala fácil e fluente, o
espírita que desejava sair, desculpou-se:
- Eu sou
espírita, peço desculpas, mas deixemos a conversa para outro momento.
- Por isso,
mesmo, por ser espírita é que não deve perder a oportunidade de ouvir a Palavra
de Deus.
- Mas eu
não creio na Bíblia.
A mulher
estatelou os olhos, como se ouvisse aa maior de todas as blasfêmias. Um homem
que estava ao lado, visivelmente alcoolizado, interferiu:
- Muito
bem, doutor, muito bem!
A mulher,
com a aprovação dos demais do grupo olhou para o homem com olhar reprovador, mas
voltou, insistindo:
- O Senhor
tem um plano de salvação para sua alma. Por que você não crê na Bíblia?
- Minha
irmã, eu gosto da Bíblia, ela tem coisas boas, mas não é a Palavra de Deus. Pois
está cheia de contradições.
- Muito
bem! – gritou o homem embriagado.
A mulher
voltou-se para o homem, dardejando sobre ele os olhos reprovadores.
- Cala a
boca! Você, se não mudar de vida, irá certamente para o Inferno. Você é um
escravo da cachaça! |