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Essas
outras Crianças
Francisco Cândido Xavier
Quando
abraças seu filho, no conforto doméstico, fita essas outras crianças que
jornadeiam sem lar.
Dispões de
alimento abundantes para que teu filho se mantenha em linha de robustez.
Essas
outras crianças, porém caminham desnorteadas, aguardando os restos da mesa que
lhes atira, com displicência, findo o repasto.
Escolhes a
roupa nobre e limpa de que teu filho se vestirá, conforme a estação. Todavia,
essas outras crianças tremem de frio, recobertas de andrajos.
Defendes
teu filho contra a intempérie, sob o teto acolhedor, sustentando-o à feição de
Jóia no escrínio.
Contudo,
essas outras crianças cochilam estremunhadas na via pública quando não se
distendem no espaço asfixiante do esgoto.
Abres ao
olhar deslumbrado de teu filho, os tesouros da escola.
E essa
outras crianças suspiram debalde pela luz do alfabeto, acabando, muita vez,
encerradas no cubículo das prisões, à face da ignorância que lhes cega a
existência.
Conduzes
teu filho a exame de pediatras distintos sempre que entremostre leve dor de
cabeça.
Entretanto,
essas outras crianças minadas por moléstias atrozes, agonizam em leitos de
pedra, sem que mão amiga as socorra.
Ofereces
aos sentidos de teu filho a festa permanente das sugestões felizes, através da
educação incessante.
No entanto,
essas outras crianças guardam olhos e ouvidos quase sintonizados no lodo abismal
das trevas. Afagas
assim, teu filho no trono familiar, mas desce ao pátio da provação onde essas
outras crianças se agitam em sombra ou desespero e ajuda-as quanto possa!
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