Família e Parentela

Rogério Coelho

 

“Quem é minha mãe? E quem são meus irmãos?” – Jesus (Mt. 12:48)

Compulsando o dicionário, podemos academicamente entender como sinônimos os vocábulos: parentela e família; porém, analisando a questão sob a ótica da Doutrina Espírita veremos que existe notável diferença.

Aprendemos com Allan Kardec (1) que:

“Os laços de sangue não criam forçosamente os liames entre os Espíritos. O corpo procede do corpo, mas o Espírito não procede do Espírito, porquanto o Espírito já existia antes da formação do corpo.

Não é o pai quem cria o Espírito de seu filho; ele mais não faz do que lhe fornecer o invólucro corpóreo, cumprindo-lhe, no entanto, auxiliar o desenvolvimento intelectual e moral do filho, para fazê-lo progredir”.

Os que encarnam numa família, sobretudo como parentes próximos, são, as mais das vezes, Espíritos simpáticos, ligados por anteriores relações, que se expressam por uma afeição recíproca na vida terrena.

Mas também pode acontecer sejam completamente estranhos uns aos outros esses Espíritos, afastados entre si por antipatias igualmente anteriores, que se traduzem na Terra por mútuo antagonismo, que aí lhes serve de provação.

Não são os da consangüinidade os verdadeiros laços de família e sim os da simpatia e da comunhão de idéias, os quais prendem os Espíritos “antes, durante e depois” de suas encarnações.

Segue-se que dois seres nascidos de pais diferentes podem ser mais irmãos pelo Espírito, do que se fossem pelo sangue.