Pena Moral

Emerson Oliveira Cavalcante

 

“Meu filho, se entrares para o serviço de Deus, permanece firme na justiça e no temor, e prepara a tua alma para a provação; humilha teu coração, espera com paciência, dá ouvidos e acolhe as palavras de sabedoria; não te perturbes no tempo da infelicidade, sofre as demoras de Deus; dedica-te a Deus, espera com paciência, a fim de que no derradeiro momento tua vida se enriqueça. Aceita tudo o que te acontecer.

Na dor, permanece firme, na humilhação, tem paciência. Pois, é pelo fogo que se experimentam o ouro e a prata, e os homens agradáveis a Deus pelo cadinho do aviltamento. Põe tua confiança em Deus e ele te salvará, orienta bem o teu caminho e espera nele. Conserva o temor dele até na velhice.” (Eclesiástico, cap. II, v. 1-6)

O citado trecho do Eclesiástico pode nos causar um certo desconforto quando consideramos as dificuldades previstas para àquele que se compromete a seguir o caminho da “porta estreita”, como ensinou Jesus Cristo.

É certa a evidência da pouca aceitação no mundo de idéias que se fundamentam na necessidade de sacrifício do interesse pessoal, de renúncia às facilidades anti-éticas que nos são apresentadas para “nos darmos bem na vida”. Ainda nos alimentamos de velhas ilusões que fomentam a nossa vaidade, e centralizam o mundo em nossa personalidade.

Todas estas distorções de valores são causadas pela falta de amadurecimento do senso moral humano. Desejando sempre a satisfação imediata e valendo-se do menor esforço, nos frustramos, toda vez, que nossa opinião ou vontade não é aceita a contento.

Avaliando o princípio doutrinário da diversidade dos mundos habitados ensinado pela Doutrina Espírita, compreenderemos melhor a razão de tamanhas contrariedades em nossos comportamentos e relações.