Alegrias do Carnaval

Francisco Cajazeiras

 

A Doutrina Espírita, por favorecer o entendimento das condições e finalidades da vida, bem como dos motivos por que sofremos, ao mesmo tempo em que nos amplia as possibilidades de felicidade, redimensionando-nos o pensar no porvir em horizontes dilatados e hiperbólicos, longe de formar adeptos taciturnos e tristonhos, os faz pessoas otimistas com a existência terrena e com a Humanidade, esperançosas de um futuro harmonioso e, por isso mesmo, alegres, como aliás deveriam ser todos os cristãos que bem compreendem a mensagem de Jesus.

Quando se nos depara a crítica ácida, apregoante do inverso a isso, fácil é concluir pelo completo desconhecimento do seu autor sobre o que verdadeiramente é o Espiritismo.

Se, no entanto, a Doutrina faculta-nos esse estado perene de compreensão e boa vontade para com o existir, com mais justa razão franqueia-nos uma análise assaz criteriosa e justa da problemática anímica e psicológica de todos os que habitamos a superfície deste planetinha de expiações e provas.

Assim sendo, compreendemos que o homem traz, represadas em seu íntimo, inúmeras fantasias, das mais diversificadas ordens, tendo freqüentemente distorcidos vislumbres da vera felicidade.

Essas ansiedades e fantasias, esses desejos incontidos, costumam ser exteriorizados em momentos de maior permissividade, pois o indivíduo não se permite mostrar intimamente, em função do medo do julgamento popular ou mesmo por conta do cerceamento promovido pela legislação humana em tempos ditos normais.

O carnaval, festa copiada pelos "cristãos"(?) aos pagãos (realizadas por estes em homenagem aos seus deuses), costuma prestar-se a esse "desaguar" dos anseios mais íntimos de grande número de pessoas.

Dessa forma, é usual o abuso de bebidas alcoólicas (até como um agente "encorajador"), a atividade sexual infrene e irresponsável, assim como o uso de diversas substâncias estupefacientes, o que transforma esse período num "vencedor" disparado, em matéria de estatística do terror e do morticínio brutal: