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Surpreendendo a Morte
Adeilson Silva Salles
A morte é a
maior demonstração de nossa transitoriedade nesse mundo.
Diante dela
sentimo-nos frágeis, impotentes, vulneráveis.
Difícil não
é lidar com a nossa própria morte, mas sim, enfrentar a separação daqueles que
amamos.
Principalmente quando contemplamos o corpo inerte de um filho ou de nossa mãe.
Na verdade,
a morte é um grande convite da vida para avaliarmos o que estamos fazendo dela.
Mergulhados
na vida material, passamos a maior parte do tempo, extasiados pelos prazeres que
a vida física nos oferece, com isso, cultivamos hábitos desagradáveis, guardamos
e alimentamos sentimentos infelizes.
Desejamos
conquistar, ter, possuir, juntar.
Queremos
tudo para nós, até mesmo aqueles que amamos desejamos possuir.
Somos na
verdade criaturas deseducadas para o amor, confundimos amor com posse.
Com nossa
mente, orbitando na maioria das vezes em torno do próprio umbigo, desejamos ser
servido, raramente queremos servir.
Acumulamos
lixos emocionais em forma de rancor e mágoas, transformando nossa mente em
enorme caçamba de detritos psíquicos.
Esse
comportamento contribui sobremaneira para turvar as nossas percepções e nossos
olhos.
Tudo nos
mágoa e aborrece, uma simples contrariedade pode transformar-se em mais um lixo
emocional a ser acumulado.
E o tempo
vai passando, e vamos deixando de lado as coisas mais simples, os prazeres da
alma que nos fazem verdadeiramente felizes. |