Não seria esse também o efeito da fé?

Justamente. Se você acredita que vai se curar de alguma doença, isso acontece. Obviamente vai chegar um tempo em que vamos mesmo ficar doentes. E necessário para o ser humano morrer. Para a evolução.


Se a morte é necessária, por que não somos educados para morrer?

Isso fica para cada um. Temos necessidade dessa educação. O meu trabalho materializado num livro, foi um trabalho para a minha auto-educação para morrer. Acho digno um homem ou uma mulher estar preparado para a morte, porque é inevitável.

E no meu caso, o de querer educar-me para a morte, foi quando eu li Platão, que relata os últimos dias de Sócrates, condenado à morte, a tomar cicuta porque estava abrindo a mente dos jovens, e os amigos queriam que ele fugisse, para que ele vivesse mais tempo.

Ele não temia a morte porque ele sabia que continuaria vivendo após a morte. Ele acreditava em reencarnação também. Ele ia tomar cicuta, ele ia expirar, mas ia sair... Perguntaram a ele como deveriam fazer o serviço funerário e Sócrates respondeu: do jeito que vocês quiserem, se vocês conseguirem me pegar.

Os indígenas americanos eram parte do ciclo da vida, do nascer do sol, do caminhar do dia, do pôr da noite, das estações, era um ciclo de vida, era um ciclo de nascimento, de continuidade, de término e de renascimento. Para a vida humana, era a mesma coisa, então eles não temiam a morte. Diziam: hoje é um bom dia para morrer. A morte para eles era apenas uma mudança de mundos. Para um mundo mais feliz.

E para nós, com a valorização da vida material, começamos a temer mais a morte. Mas tem uma coisa muito interessante e isso ai está no livro, que o ser humano quando sabe que esta em estado terminal, por exemplo, ele passa por cinco estágios. O primeiro, a negação, o segundo a raiva, na terceira, ele negocia com Deus, barganha. Mas ele tem que morrer. No quarto estágio, entra em depressão; no quinto, há a aceitação.